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ROCKYEARS 2010

por Rafaella Pessoa


Antes de discorrer sobre as características do projeto do calendário Rockyears 2010, quero contextualizar as circunstâncias da qual ele foi concebido, visto que a internet é um meio de comunicação universal e não apenas goianos poderão ler esse artigo. 

É fato que nos últimos anos Goiânia deixou de ser somente a capital country brasileira, mas também deu lugar aos maiores festivais de música independente do país (em que o rock é predominante). Mas, nos anos 90, a música goiana tomou projeções nacionais com o boom do estilo sertanejo representado por duplas do estado.

Este fato deu visibilidade à produção musical de Goiás, mas também o estigmatizou, dificultando a divulgação da produção de outros estilos. Com o surgimento de festivais independentes como o Goiânia Noise Festival realizado pela Monstro Discos, entre outros, o cenário musical goiano passou a ser visto de forma diferenciada e o rock se tornou um estilo musical recorrente nas produções artísticas da cidade. 

Diante desta nova realidade, o calendário Rockyears 2010 surge como um dos resultados deste novo panorama cultural de Goiânia, sintetizando um repertório musical a um visual, recriando de forma criativa um objeto que, de certa forma, vem perdendo a sua relevância artística.

Idealizado por mim, no papel de designer gráfico e produtora, e pela designer gráfico e fotógrafa, Marília Assis, o projeto contou com a participação de diversos estudantes e profissionais motivados por uma causa em comum: amor à arte e ao rock.

A inspiração veio dos antigos calendários de pin-ups que buscavam a união entre a sensualidade e a elegância, fugindo da estética vulgar dos tradicionais calendários de borracharia. Uma vez que, no calendário Rockyears 2010, a inocência da mulher é substituída pela atitude roqueira, resultado de um misto de elementos visuais, como maquiagem, penteado, figurino e expressão corporal.

O calendário buscou associar a presença feminina a um fator crucial para a representação visual do rock: a moda. Foi estruturado na representação fotográfica de 12 bandas, uma para cada mês do ano, em que mulheres estão encarnadas em situações ou em integrantes dessas bandas. O objetivo foi mostrar a variação de estilos que existe no rock (rock progressivo, hard rock, punk rock, etc) e a recorrência de um vestuário característico no universo de cada uma dessas modalidades no corpo de mulheres.

A escolha das bandas representadas no calendário acabou sendo um fator que gerou discussão entre os espectadores. Tínhamos que escolher apenas 12 e muitos questionaram a ausência de uma ou outra banda. Mas confesso que de certa forma a escolha foi arbitrária, já que eu e Marília éramos fãs do rock setentista.

E assim foi. Estabelecemos o tema "bandas que fizeram maior sucesso entre as décadas de 1960 e 1970", pelo fator gosto pessoal e também porque essas bandas e artistas marcaram suas épocas, ditando moda, novos estilos musicais e ainda vivem no imaginário do público roqueiro atual. Estabelecido este critério, as bandas escolhidas de maior relevância musical e, principalmente, visual (repito, arbitrariamente) foram: Rolling Stones, Pink Floyd, Ramones, The Beatles, AC/DC, Jimi Hendrix, Lynyrd Skynyrd, Kiss, Janis Joplin, The Doors, Black Sabbath e Led Zeppelin. 

Fizemos questão também de que as modelos do calendário fossem garotas inseridas na cena roqueira local. A intenção era gerar um boca-a-boca maior no próprio meio. E funcionou! A festa de pré-lançamento e a de lançamento do calendário Rockyears 2010 foram um sucesso graças a intensa participação da próprias modelos na divulgação. Nos palcos das festas, Black Drawing Chalks, MQN, Trivoltz, Bang Bang Babies, DJ Leo Rockfeller e DJ Jason, bandas e DJs goianos que marcaram presença graças ao apoio da Monstro Discos e do Bolshoi Pub ao projeto. Nas paredes, fotos inéditas dos ensaios do calendário.

Foi um trabalho árduo, porém, gratificante pelo reconhecimento, mas infelizmente inviável sem apoio financeiro condizente. 

Os frutos que colhi deste calendário que valeram muito à pena: o argumento para meu trabalho de conclusão de curso e o aprendizado de que não basta apenas ter boas ideias.


Rafaella Pessoa
Designer Gráfico e Fotógrafa
rafaella.design@gmail.com 

 

 


       


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